sexta-feira, 20 de abril de 2012

A Crise na Igreja Católica - Índice


A CRISE NA IGREJA CATÓLICA


SÃO PIO X

Comparação entre o Catecismo de São Pio X e o Catecismo da Igreja Católica
SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA

A verdadeira espiritualidade cristã (Em breve)

Resumo e comentário do Tratado da Oração e da Meditação (Em breve)
SÃO TOMÁS DE AQUINO

Comentário da Encíclica Æternis Patris (Em breve)
NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

A Devoção do Terço e a Penitência (Em breve)

A Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria (Em breve)
NOSSA SENHORA DE LA SALETTE

As palavras de La Salette sobre os sacerdotes (Em breve)

sábado, 31 de março de 2012

Neo-ateísmo, fruto nefasto do socialismo

O neo-ateísmo ou antiteísmo consiste não só na negação das crenças em divindades, mas também na busca de sua ruína. Esse novo tipo de ateu insiste que é seu dever “moral” arrancar a cegueira religiosa para a construção de um mundo melhor e mais justo. Esse pensamento utópico encontra eco na música de John Lennon, Imagine, tido por alguns neo-ateus como seu hino. Ela diz: “...E nenhuma religião também. Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz”. Até aqui, incrivelmente, encontramos duas semelhanças do ateísmo mitigado com as religiões: conversões e hinos. Mas o que me leva a escrever este artigo não é mostrar as semelhanças ou dessemelhanças do ateísmo com a religião nem suas contradições. Venho mostrar de onde é que saiu, que mãe impura gerou o ateísmo militante. O que diferencia um ateu clássico de um neo-ateu é, justamente, o combate cultural. A importância de não medir forças para a destruição da religião e a imaginação que disto o mundo progredirá. O neo-ateu quer desenraizar a cultura religiosa da sociedade, temos como exemplo disso sua luta para a extinção de crucifixos nas repartições públicas aqui no Rio Grande do Sul, no Tribunal de Justiça, obtiveram vitória. Um dos ateus militantes da atualidade mais conhecidos, Sam Harris, deixa claro que esta é a estratagema dos novos ateus. Ele já disse: “Então, ridicularização pública é um princípio. Uma vez que você deixa de lado o tabu que é criticar a fé e exige que as pessoas comecem a falar com sentido, então a capacidade de fazer as certezas religiosas parecerem estúpidas fará nós começarmos a rir na cara das pessoas que acreditam aquilo que Tom DeLays, que Pat Robersons do mundo acreditam. Nós vamos rir deles de uma maneira que será sinônimo de excluí-los do nossos salões do poder.” Richard Dawkins, outro ateu do mesmo nível,  chegou a criar uma fundação para combater as crenças nas escolas britânicas. Segundo este último é extremamente necessário combater o "o vírus da fé". Tais atitudes são facilmente percebidas em fóruns e redes sociais na internet. Não há como negar a atitude ateia mudou. Mas isto, mesmo que eles não saibam é influência da esquerda. Foi próprio do socialismo essa luta contra a religião por considerá-la um impedimento para a consolidação da revolução. Sua existência só vigoraria para o mal. O grupo “Sem-Deus” não diferiu em nada com sua propaganda com as dos ateus militantes atuais Nas palavras de Lênin a famosa expressão de Marx, “a religião é o ópio do povo”, tem seu sentido bem explicado: “A religião [e um dos aspectos da opressão espiritual que as massas populares, esmagadas pelo trabalho perpétuo em proveito de outrem, pela miséria e pelo isolamento sofrem por toda a parte (...) Aos que vivem do trabalho alheio, a religião ensina a beneficência neste mundo, oferecendo-lhes assim uma justificação fácil da sua existência de exploradores, e vendendo-lhes barato bilhetes de ingresso no céu. A religião é o ópio do povo... uma espécie de álcool no qual escravos afogam a sua imagem humana e a sua reivindicação duma existência, por pouco que seja, digna do homem”. 

Vejamos mais, abaixo alguns escritos de ateus socialistas neste sentido:

Scheinman, adjunto de Yaroslavsky: “O nosso ateísmo é um ateísmo militante, e, por isso, distingue-se do ateísmo burguês. Ele ataca todas as fortalezas do antigo mundo, assim como a sua ideologia. Não se trata de uma coexistência pacífica com o clero, mas duma luta implacável contra a religião, para a reeducação dos trabalhadores que ainda seguem a Igreja. É este nosso escopo” “Ainda mais espírito militante, ainda mais intransigência anti-religiosa”. (Bezbojnik, agosto de 1935)

E. Yaroslavsky: “O programa Internacional Comunista estabelece (...) claramente que os Comunistas lutam contra a religião, força contra-revolucionária, aliada e arma da burguesia contra o movimento revolucionário”; “Se o mundo é governado por Deus, se a sorte do povo está nas mãos de Deus, dos seus santos, dos anjos, dos demônios, que sentido atribuir ao esforço organizado dos operários e dos camponeses, e a criação do partido leninista! Que sentido restará à reconstrução socialista da Sociedade? (...) Devemos, pois, convencer as massas de que o comunismo e a religião se opõem” (Opúsculo citado, PP. 21 e 30-31)

Yaroslavsky-Goubelmann: “Nada de repouso, nada de trégua na frente anti-religiosa! É preciso dar uma atividade nova a essa frente, reorganizar a propaganda, melhorar os quadros! Pôr em ação, não somente a crítica das ligações sociais da religião, mas também a crítica científica, mostrar o abismo que separa a ciência da religião, auxiliar as massas a transpor esse abismo...” (Bezbojnik de agosto de 1935)

Lênin: “No que concerne ao partido do proletariado socialista, a religião não é uma questão privada. Nosso partido(...) o partido operário social-democrata da Rússia, por ocasião da sua fundação, deu-se por finalidade, entre outras, a de combater toda animalização religiosa dos operários. Para nós, a luta das ideias não é uma questão privada; interessa a todo o partido, a todo proletariado” (Artigo-programa da “Novaia Jizn”)

 “Devemos combater a religião, é o A.B.C  de todo o materialismo e, portanto, do marxismo” (LENIN, VLADIMIR ILITCH ULIANOV, Sur le rapport du parti ouvrier à la religion, Pss.vol.17.p.418.)

“A luta contra a religião é a luta pelo socialismo” (Divisa da União dos Sem-Deus Militantes)

O comunista é obrigado a “lutar contra a religião, inflexível e sistematicamente”. (Programa oficial da IIIª Internacional)

 “unir as massas operárias da U.R.S.S. em mira a uma luta ativa, sistemática e continua contra todas as religiões, que são um obstáculo a construção socialista e à cultura revolucionária”. (Estatuto (1º.) da União dos Sem-Deus Militantes)

Stepanoff: “Devemos agir de maneira que cada golpe vibrado contra o clero ataque a religião em geral(...) Ainda os mais cegos veem até que ponto se torna indispensável a luta decisiva contra o eclesiásticos, quer se chame pastor, abade, rabino, patriarca, mulá ou papa; essa luta deve desenvolver-se também, e inelutavelmente, “contra Deus”, quer se chame Jeová, Jesus, Buda ou Alá”. (Os problemas e os métodos da propaganda anti-religiosa, Moscou, 1933, citado pela Documentação católica, 19 de abril de 1930, col. 1010)

Se as frases não bastam, vamos paras os posters:


Tradução: Religião é veneno 
Proteja as crianças


Tradução: A religião é entorpecente para o povo.

Charges parecidíssimas encontramos nas publicações da ATEA (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos). As semelhanças não são meras coincidências, o neo-ateísmo é filho do socialismo. São bem diferentes das pretensões dos primeiros sistemas ateus formados a partir do século XVIII.

Nelson Monteiro.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Posse comum segundo Santo Tomás





"11. Os males que se seguiriam da lei da comunidade das posses de Sócrates. 


Se as posses fossem comuns a todos os cidadãos, não seria possível que todos os cidadãos cultivassem os campos. Seria necessário que os maiores se ocupassem dos negócios maiores, enquanto que os menores se ocupassem da agricultura. Todavia, seria necessário que os maiores, que menos teriam trabalhado na agricultura, mais recebessem de seus frutos. Ora, por causa disso necessariamente se originariam acusações e litígios, na medida em que os menores, que mais teriam trabalhado, murmurariam dos maiores que, pouco trabalhando, muito receberiam, enquanto que eles mesmos, ao contrário, menos receberiam, embora mais tivessem trabalhado. Ademais, é muito difícil que muitos homens, ao conduzirem uma vida comum, comuniquem em alguns bens humanos e principalmente nas riquezas. De fato, vemos que aqueles que 
comunicam em algumas riquezas têm muitas dissenssões entre si, como é evidente naqueles que viajam juntos; freqüentemente, de fato, discordam, quando fazem as contas, naquilo que gastam em comida e em bebida e às vezes por pouco se agridem e ofendem por palavras e obras. De onde que é evidente que, onde todos os cidadãos tivessem em comum todas as posses, isto [lhes seria causa para] a existência de muitos litígios. Finalmente, os homens são maximamente ofendidos pelos servos dos quais muito necessitam para certos ministérios servis, o que ocorre por causa da comunidade da conversação da vida [que desta necessidade decorre]. De fato, aqueles que não convivem freqüentemente não se turbam com freqüência. De onde que é evidente que a comunicação entre os homens existentes é freqüentemente causa de discórdia.



12. Os bens que se impediriam pela lei da comunidade das posses de Sócrates. I.

Se se ordenasse nas cidades conforme agora se ordena, isto é, que as posses sejam divididas entre os cidadãos, e isto fosse ordenado por belos costumes e justas leis, isto produziria uma grande diferença em uma muito maior bondade e utilidade em relação ao que Sócrates propunha. [Nesta ordenação encontrar-se-ia] o bem de dois modos, tanto na medida em que as posses seriam tidas como próprias, quanto na medida em que seriam tidas em comum. Se, de fato, as posses forem próprias, e se ordene por leis e costumes retos que os cidadãos comuniquem entre si com seus próprios bens, este modo de vida possuirá o bem que pertence tanto aos dois modos [anteriormente mencionados], isto é, à comunidade das posses e à sua distinção. De fato, é necessário que as posses, simplesmente consideradas, sejam próprias quanto à propriedade do domínio, mas que, de algum modo, [também] sejam comuns. Pelo fato de que as posses são próprias, segue-se que a busca [e o cuidado] da posse seja dividida, na medida em que cada um cuida 
de sua própria posse. Disto seguem-se dois bens, dos quais o primeiro é que, na medida em que cada um se intromete de si no que lhe é próprio e não no que é de outro, não se produzindo os litígios que entre os homens costumam originar-se quando muitos devem ocupar-se de uma mesma coisa, na medida em que a um parece que deva proceder- se de um modo e a outro parece que deva proceder-se de outro. O segundo bem é que cada um mais aumentará a sua posse insistindo nela mais solicitamente como algo de próprio. 
Deste modo as posses serão divididas, mas por causa da virtude dos cidadãos, que serão liberais e propensos a fazerem o bem entre si, estas posses serão comuns segundo o uso, assim como se 
afirma no provérbio, que as coisas que são do amigo são comuns. Para que isto não pareça a alguém como coisa impossível, o Filósofo acrescenta que em algumas cidades bem ordenadas foi estabelecido que algumas coisas fossem de fato comuns quanto ao uso, outras se tornassem comuns pela vontade de seus próprios 
donos, na medida em que alguém, tendo sua própria posse, dirigisse alguns de seus bens para a utilidade de seus amigos e estes amigos utilizassem estes bens por si mesmo como de coisas comuns.
Assim era na cidade dos Lacedemônios, na qual alguém poderia usar o servo do outro ao seu próprio serviço como se fosse um servo próprio. Semelhantemente poderiam usar também cavalos, cães e veículos dos outros como se fossem seus, se necessitassem deles para irem a um campo situado na mesma região. De onde que é manifesto que é muito melhor que as posses sejam próprias segundo o domínio, mas que se tornem, de algum modo, comuns quanto ao uso. Como, porém, o uso das coisas próprias possa se tornar comum, isto pertence à providência do bom legislador.



13. Os bens que se impediriam pela lei da comunidade das posses de Sócrates. II. 


Não é coisa fácil narrar o quanto é deleitável que alguém considere algo como próprio. Esta deleitação procede de que o homem ama a si mesmo; é por causa disso, de fato, que ele deseja bens para si. 
Não é uma coisa vã que alguém tenha amizade para consigo mesmo; ao contrário, trata-se de algo que pertence à natureza. Todavia, às vezes alguém é com justiça vituperado por amar a si mesmo; quando, porém, alguém é vituperado por este motivo, não o é por amor a si mesmo simplesmente falando, mas por fazê-lo mais do que o deveria. Ora, esta deleitação produzida pela posse de coisas próprias é removida pela legislação se Sócrates. 



14. Os bens que se impediriam pela lei da comunidade das posses de Sócrates. III. 


Ademais, é muito deleitável para o homem que ele possa doar ou auxiliar os amigos, ou mesmo os estranhos ou quem quer que seja. Mas isto não se pode fazer se o homem não possui algo como sua possessão. Este bem também é removido pela legislação de Sócrates que proíbe a propriedade de posses. Aqueles que querem unir excessivamente a cidade desta maneira, manifestamente eliminam com isto a obra das virtudes. Os que introduzem a comunidade de posses removem com isto o ato da liberalidade. Não poderá manifestar-se que alguém seja liberal, nem alguém poderá exercer o ato da liberalidade, se não tiver posses 
próprias, no uso das quais consiste a obra da liberalidade. O homem liberal gasta e doa o que é próprio; mas, se alguém dá o que é comum, isto não pertence propriamente à liberalidade. Todos estes inconvenientes acontecerão àqueles que quiserem unir excessivamente uma cidade introduzindo nela a comunidade das 
mulheres, dos filhos e das posses.



15. O motivo pelo qual as leis de Sócrates seduziram a muitos. 


As leis propostas por Sócrates parecem boas [quando consideradas  em sua] superfície, e parecem amáveis aos homens por dois motivos. O primeiro se deve ao bem que alguém espera como futuramente proveniente de tais leis. De fato, quando alguém ouve dizer que entre os cidadãos tudo será comum, recebe isto com alegria, considerando a amizade admirável que haverá por causa disso no futuro entre os homens de todos para com todos. O segundo motivo se deve aos males que os homens consideram que seriam removidos por meio de tais leis. De fato, muitos atribuem os males que hoje se fazem nas cidades, como as querelas que há 
entre os homens por causa de contratos, os julgamentos baseados em falsos testemunhos, a adulação dos pobres por parte dos ricos, como tendo a sua causa no fato de que as posses não são comuns. Mas, se alguém considerar corretamente, nenhuma destas coisas se deve ao fato das posses não serem comuns, mas sim à malícia dos homens. Ao contrário, o que se observa é que aqueles que possuem coisas em comum muito mais litigiam entre si do que aqueles que possuem posses separadas. Como, porém, são poucos aqueles que tem posses em comum em relação aos que as tem divididas, por causa disso um menor número de litígios procede da comunidade de posses. Se, entretanto, todos tivessem tudo em comum, muito 
maior número de litígios haveria. O homem não deve considerar apenas quantos males são evitados 
por aqueles que têm as posses em comum, mas também de quantos bens estes se privam. O legislador deve tolerar alguns males para que não se impeçam bens maiores. Ora, tantos são os bens impedidos por estas leis propostas por Sócrates, que a própria convivência parece tornar-se impossível, como é evidente pelos 
inconvenientes acima mencionados."


(Santo Tomás de Aquino e Pedro de Alvérnia, Comentário à política de Aristóteles, Livro II, cap. 1, 11-15)

domingo, 25 de março de 2012

A fé e a caridade



A Doutrina Católica sempre condenou a “Sola Fide”, isto é, que somos justificados somente pela fé independente das boas obras. Lutero, tendo em vista sua vida pessoal, trouxe uma teologia pessimista, concluindo que a vontade é incapaz de um ato moral. O pobre monge Lutero sentia ódio à paz, atacava violentamente os observantinos, que chamava de “justitiarii”, por compreenderem a busca da santidade não como desespero, intranquilidade, mas em confiança a graça de Deus e a busca por cumprir o seu dever. Isto o fez reprovar as indulgências porque fixariam o homem nessa segurança “nefasta” que ele denuncia como “a grande tentação da Igreja”. Ser humilde, para ele, não é reconhecer em si os dons de Deus, nem em obedecer alegremente às suas vontades e desejos. Ser humilde é acusar a si mesmo, desprezar-se e banir a própria alma de qualquer tranquilidade e paz para consigo. É impossível entender a Sola Fide, sem antes voltar os olhos ao que há por trás disso. Só aí podemos entender a “fé-confiança” defendida por ele, isto é, persuasão subjetiva de ser justificado por Cristo, mesmo sem as boas obras. Eis que tiramos dois dogmas do protestantismo: a justificação passiva e a fé-confiança. Não se deve também esquecer as tendências gnósticas de Lutero tiradas do pensamento de Mestre Eckhart, além disso, o Mestre Geral de sua Ordem, quando na revolta luterana, era o cardeal Guido de Viterbo, que foi um dos famosos cristãos cabalistas da Renascença. As semelhanças ao que pregavam os hereges gnósticos são muito claras. Vejamos, por exemplo, o que Santo Irineu dizia sobre os discípulos de Simão Mago:

“Pois, segundo eles, os homens podem salvar-se pela graça, mas não pelas obras justas. Com efeito, não há obras boas por natureza, mas somente por convenção, como dispuseram os Anjos criadores para manter escravos os homens por meio destes preceitos” (Contra Heresias, I, XXIII, 3)

O gnóstico Marcion ensinava o mesmo a respeito da inutilidade das boas obras:

“Para o tempo que lhes falta viver na terra, a conduta dos crentes é ditada não tanto por um cuidado positivo em santificar suas vidas como por um interesse negativo em reduzir o contato com o domínio do Criador. É pela fé somente que se pode antecipara na terra a felicidade futura.” (Jonas, Hans. La religion gnostique, p. 187)

Segundo Santo Irineu, também essa doutrina, com uma maneira mais estendida, era crida pelos carpocráticos:

“[...] eles acrescentam que Jesus ensinou a seus apóstolos uma doutrina secreta e que os encarregou de transmiti-la àqueles que a soubessem compreendê-la. São a fé o amor que salvam. Todo o resto é indiferente e apenas a opinião humana coloca distinções entre o bem e o mal.” (Lacarrière, Jacques. Les gnostiques. P. 93 & Leisegang, Hans, La Gnose, p. 185-186.)

Também temos um texto valentino, citado por Santo Irineu, que diz:

“A salvação do “perfeito” dá-se de uma maneira quase automática: Não é a obra que faz entrar no Pleroma, mas a semente enviada de lá como uma criancinha e que torna perfeita aqui em baixo” (Contra Heresias, I, 6, 4)

Mas não basta demonstrarmos o histórico desta doutrina para os evangélicos, é preciso explicar onde foi que Lutero errou, por que este não compreendeu as cartas de São Paulo. Para isto, faz-se necessário fazer duas definições, o que é a fé e o que é a caridade. Digo caridade, pois as boas obras não fundadas nela não têm valor algum. Qualquer um pode fazer boas obras, mas não é qualquer um que tem o dom da caridade, pois para isto é necessário a fé. Por isso São Paulo nos diz: “Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria!” (I Coríntios 13,3)

Também Santa Teresa de Jesus, doutora da Igreja:

“Assim como o cristal pode refletir o resplendor do sol, a alma ainda é capaz de fruir de Sua Majestada. Todavia, isso não se beneficia em nada, daí decorrendo que todas as boas obras que fizer, estando em pecado mortal, são de nenhum fruto para alcançar a glória. Isto porque não procedem do princípio pelo qual nossa virtude é virtude – Deus -, mas nos apartam Dele, não podendo ser agradáveis aos Seus olhos.” (Castelo Interior, Primeiras Moradas, cap. 2)

Seguindo a definição em Hebreus podemos repetir “a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.”(11,1) Assim, podemos dizer ter fé é crer em Deus, acreditar é assentir na opinião de outrem, e isto, se dá por meio do intelecto. A fé é um dom de Deus. Como nos diz São Paulo: “ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, senão sob a ação do Espírito Santo.”(I Coríntios 12,3) Em outra passagem deixa bem claro: “Isto não provém de vossos méritos [a fé], mas é puro dom de Deus.” (Efésios 2,8)

Agora, quanto à caridade. Caridade, segundo o Doutor Angélico, Santo Tomás, significa não só o amor de Deus, mas também uma certa amizade para com Ele, “a qual acrescenta ao amor a retribuição acompanhada de comunicação mútua”, ou seja, a caridade se manifesta pelo modo de operar, nas boas obras. Segundo o livro Eclesiástico, arrancado por Lutero, em Deus “residem a caridade e as boas obras” (Eclesiástico 11,15) São Paulo é bem categórico, segundo ele, a caridade “é o pleno cumprimento da lei.” (Romanos 13,10) Também a caridade é dom de Deus, pois é dada pelo Espírito Santo (cf. Romanos15,30) E, por fim, resta dizer que a caridade é maior que a fé e a esperança, pois lemos: “Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade.” (I Coríntios, 13,13) 

Definições claras que apresentam por quê uma e outra não se separam, mas andam juntas, uma relacionada com a outra. Infelizmente, por culpa do livre exame, os evangélicos confundem o que a Santa Igreja deixa resplendente. A partir de uma má leitura de alguns versos concluem que só a fé justificaria. O exemplo disso se vê na interpretação dada por eles para Efésios 2,8 que diz: “Porque é pela graça que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus” Disto concluem que falar de boas obras é por fim à gratuidade da salvação. Isto não é verdade. A salvação continua sendo gratuita, a fé e a caridade são dons de Deus, e nós podemos possuí-los porque Ele nos amou primeiro. Não provém de nossos méritos, nem mesmo pela aceitação da fé, a salvação. Somos justificados pela fé e pelas obras, mas não são esses dois dons que nos fazem merecer a salvação, pois quem nos salva é Deus. Em sentido contrário, São Tiago pergunta: “Vedes como o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé?” (Tiago 2, 24) E um pouco antes: “Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma.” (v. 17) Mas na tentativa de escapar desses versos, sem negarem a autenticidade da carta de Tiago como fez Lutero, alguns evangélicos dizem que não existe fé se não há boas obras. E entre outros sofismos dizem: “a fé que não pratica não acredita”. Isto é muito nebuloso! Demos acima a definição de fé e de nada ela é prejudicada por não haver boas obras. Ainda, em todo o capítulo onde fala São Tiago, ele nunca nega que haja, realmente, uma fé. Entre outras coisas diz: “Acaso esta fé poderá salvá-lo?” (v. 14) Além disso, uma fé não pode ser morta caso não exista, simplesmente, não seria nada. São Tiago, no fim do capítulo, faz a seguinte analogia: “Assim como o corpo sem a alma é morto, assim também a fé sem obras é morta.” (v.26) Ora, assim como o corpo existe, mesmo sem a alma que dá a vida, assim também a fé existe mesmo sem as obras que lhe dão a vida. 

Mas em alguma coisa os evangélicos estão certos, não pode existir caridade sem fé. A fé precede a caridade na ordem da geração, pois como nos ensina Santo Tomás: “é pela fé que o intelecto capta o que ele espera e ama. Portanto, na ordem de geração a fé tem que preceder a esperança e a caridade. Da mesma forma, se se ama alguma coisa é por apreendê-la como boa para si.” (ST IV, Q. 62, art 4) Em Hebreus 11, 6 isso é deixado claro quando se diz: “sem a fé é impossível agradar a Deus.” Ou ainda em Provérbios: Eu amo aos que me amam. (Pr 8,17) Santo Tomás nos diz: “E esta sociedade do homem com Deus que é, de algum modo, uma conversação familiar com ele, começa na vida presente pela graça e se completará na futura, pela glória. E ambas essas coisas nós as obtemos pela fé e pela esperança. Por onde, assim como não poderemos ter amizade com alguém se descrermos ou desesperarmos de poder ter com o mesmo alguma sociedade ou familiar conversação, assim não poderemos ter amizade com Deus, que é a caridade, se não tivermos a fé, que nos faz crer nessa sociedade e conversação com Deus, e se não esperarmos pertencer a essa sociedade. E portanto, sem a fé e a esperança a caridade não pode existir de nenhum modo.” (ST IV, Q. 65, art. 5) Se poderá perguntar: E as obras realizadas antes da fé? Responde-se com Hugo de S. Vitor: “As boas obras, realizadas antes da fé, ainda que não aproveitem para merecer a vida, aproveitam, todavia, para recebê-la, como pareceu a alguns e como fica manifesto no centurião Cornélio.” (Anotações à epístola aos Romanos, questão nonagésima nona)

Falemos, agora, na ordem da perfeição que é justamente ordenado de forma contrária, como nos diz Santo Tomás: “Na ordem de perfeição, porém, a caridade precede a fé e a esperança, porque tanto a fé como a esperança estão informadas pela caridade e adquirem a perfeição de virtude. Assim, pois, a caridade é mãe de todas as virtudes e a sua raiz, enquanto a forma de todas elas...” (ST IV, Q. 62, art 4) Por isso, a caridade é dita maior que a esperança e a fé, ou seja, é dela que adquirem a perfeição de virtude, não sendo só apreensão do intelecto. Ainda usando a autoridade de Santo Tomás se responde: “Assim, pois, a fé e a esperança podem, por certo, existir de algum modo sem a caridade, mas, sem esta, não podem realizar a noção perfeita da virtude. Pois, como a fé tem por objeto crer em Deus, e como crer é assentir na opinião de outrem, por vontade própria, o ato da fé não será perfeito, se a vontade não quiser do modo devido. Ora, só influenciada pela caridade, que aperfeiçoa a vontade, pode esta querer do modo devido; porquanto, todo movimento reto dela procede do amor, no dizer de Agostinho4. Por onde, a fé pode, certamente, existir sem a caridade, mas não como virtude perfeita; assim como a temperança ou a fortaleza não podem existir sem a prudência. E o mesmo se deve dizer da esperança, cujo ato consiste em ter em expectativa a futura beatitude dada por Deus. Esse ato será perfeito se se fundar nos méritos que já temos, o que não pode ser sem a caridade. Mas, se essa expectativa se fundar nos méritos que ainda não temos, mas que nos propomos adquirir no futuro, o ato será imperfeito, e pode existir sem a caridade. E portanto, a fé e a esperança podem existir sem a caridade, mas, sem esta, propriamente falando, as virtudes não existem; porque, a virtude, por essência, exige não somente que obremos de acordo com ela, mas ainda, que obremos retamente, como se disse” (ST IV, Q. 65, art 4)

De fato, a fé é cooperada pelas obras e é completada por elas. 

Assim, termino este artigo citando Santo Tomás, o que não me é cansativo. Sua regra de ouro:
"Três coisas são necessárias à salvação do homem, a saber: a ciência do que se há de crer, a ciência do que se há de desejar, e a ciência do que se há de operar." (O Mandamento da Caridade, Intr.)


Nelson Monteiro.

domingo, 10 de julho de 2011

“No princípio, Deus criou os céus e a terra.” (Gênesis 1, 1)

“No princípio, Deus criou os céus e a terra.” (Gênesis 1, 1)

O verso que principia meu artigo, e que principia também a Bíblia, é uma das provas da existência de Deus. Resumidamente podemos inferir “o universo para poder ter início, obviamente, necessitou de um criador atemporal e poderoso, pois se não há nada, nada vem a ser.” O big bang é a maior evidência disso. A expansão do universo,  a radiação detectada por Penzias e Wilson, as oscilações descobertas pela NASA e a teoria da relatividade são comprovações do big bang, tão certas que não dão vez a qualquer outra teoria. Os ateus hoje em dia fazem uso de tal teoria e, por vezes, querem tomá-la sem considerar seu valor no campo religioso. Mas no começo não foi assim. No começo, muitos ateus não aceitaram a teoria do big bang para continuarem a defender o suposto universo eterno.

Logo no começo das comprovações da teoria vejamos o posicionamento do Papa Pio XII:

“Assim, tudo parece indicar que o universo material teve um poderoso começo no tempo, dotado como estava de vastas reservas de energia, em virtude das quais, a princípio rapidamente, depois aos poucos, evoluiu para o seu estado atual... De fato, parece que a ciência atual, com seu abrangente salto através de milhões de séculos até o passado, conseguiu tornar-se testemunha daquele Fiat lux primordial, pronunciado no momento em que, junto com a matéria, se derramou do nada um mar de luz e radiação, enquanto as partículas dos elementos químicos se dividiam e formavam milhões de galáxias... Portanto, existe um Criador. Portanto, Deus existe! Embora isso não seja explícito nem completo, essa é a resposta que esperávamos da ciência, e que a presente geração dela esperava” (Na Academia Pontífice de Ciências em 22 de novembro de1951)

Enquanto os ateus se pronunciavam sarcasticamente quanto à teoria, associando-a como produto de religiosos fanáticos. Fred Hoyle fez isso. Condenou a teoria como construída sobre alicerce judaico-cristão.  Thomas Gold quando interrogado falou: “Bem, o Papa também apoiou a terra estacionária.” Outro ateu, chamado Andrei Jdanov , resumiu a posição soviética: “Falsificadores da ciência querem reviver o conto de fadas da origem do mundo a partir do nada.” Aliás, ele perseguiu os que concordavam com o big bang, chegando a mandá-los a trabalhos forçados, como fez com o astrofísico Nikolai Kozirev. O astrônomo russo V. E. Lov. Seguiu a mesma linha do partido declarando que o big bang era “um tumor canceroso que corrói a moderna teoria astrômica e é o principal inimigo ideológico da ciência materialista.” O físico britânico William Bonner concordava com a suposta conspiração, disse:  “O motivo subjacente a isso, é claro, é colocar Deus como criador. Parece ser a oportunidade que a teologia cristã estava esperando desde a ciência começou a derrubar a religião das mentes dos homens racionais do século XVII”
 Isso, só para citar alguns. Nos jornais da época podemos ver as mesmas posições, ou melhor, oposições.

Bem como dissera Robert Jastrow:
“Para o cientista que tem vivido pela fé no poder da razão, a história termina como um sonho ruim. Ele escalou as montanhas da ignorância; esta prestes a conquistar o pico mais elevado e, quando se lança sobre a última rocha, e saudado por um grupo de teólogos que estão sentados ali ha vários séculos.” (God and the Astronomers, p. 116.)

Não obstante, frente a todas as evidências para o início do universo, os ateus correm a teorias alternativas. A mais corrente é a do cilclo eterno de big bang e big crunch, segundo essa teoria o universo expande-se e contrai-se infinitamente. Ela é facilmente refutada por várias bases. A primeira é a filosófica. Um número infinito de big bangs é uma divisão ao eterno e isto é irracional, não podemos dividir o que seria atemporal, pois daí estaria no tempo. O que é eterno, atemporal, É, NÃO ESTAVA e NEM ESTARÁ. Ora, o que muda está no tempo, logo teve começo. O atemporal não pode mudar. Mais ainda, se há uma sequência é porque há um começo. Todas as cadeias que sucedem devem ter um começo, senão não poderiam existir. É o que disse Duns Scotus: “A infinitude é impossível na cadeia ascendente.” O argumento cosmológico de Kalam que prova o início do universo pode ser adaptado contra a teoria do ricochete cósmico, ela diz:

1. Um numero infinito de dias nao tem fim.
2. Mas hoje e o dia final da historia (a historia como uma colecao de todos os
dias).
3. Portanto, nao houve um numero infinito de dias antes de hoje (i.e., o tempo teve um inicio).

Adaptação:
1. Um numero infinito de big bangs não tem fim.
2. Mas hoje é o dia final da historia (a historia como uma coleção de todos os
Big bangs).
3. Portanto, não houve um número infinito de big bangs antes de hoje (i.e., o tempo teve um inicio).

Pela ciência não obtém sucesso. Em primeiro lugar não há evidência para um número infinito de big bangs. Em segundo, o universo parece equilibrado para continuar expandindo-se indefinidamente. Os astrônomos estão descobrindo que velocidade da expansão do universo está acelerando, fazendo que um colapso total seja cada vez mais improvável[1]. Seria de se esperar diminuição da velocidade e não o contrário caso a teoria fosse correta. Em terceiro, tal teoria contradiz a segunda lei da termodinâmica, pois pressupõe que a energia utilizável não acabaria.

Assim, por mais que os ateus se esforcem nunca terão êxito contra o que é racional, Deus existe.

“O que há de invisível em Deus, torna-se visível pelas coisas criadas”. (Rm 1,. 20)

Referências e notas:

[1]V. Kathy SAWYER, "Cosmic Driving Force? Scientists' Work on "Dark Energy" Mystery Could Yield a New View e of the Universe". Washington Post, February 19, 2000, AI. V. " 'Baby Pie' Shows Cosmos 13 Billion Years Ago", CNN.com, 11 de fevereiro de 2003, em http://www.cnn.com/2003/TECH/space/02//lcosmic.pomait/
- Livro: Não tenho fé suficiente para ser ateu - Norman Geisler & Frank Turek
- Livro: Big Bang – Simon Singh

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Reencarnação e Concílio de Constantinopla - tolice espírita





Um dos frágeis argumentos espíritas é basicamente o que segue: “Os cristãos acreditavam na reencarnação, até meados do século VI, quando o Segundo Concílio de Constantinopla condenou a doutrina. Ora, não condenaria algo que não fosse crido.”


Essa teoria frívola não tem como base os testemunhos antigos. Cita-se apenas, um concílio, sem, porém, citar qualquer trecho do mesmo para apoiar tal visão.


A verdade, é que o II Concílio de Constantinopla não condenou a reencarnação espírita e sim a pré-existência da alma. A segunda não implica à crença espírita. O que o concílio condenou foram às apropriações de Orígenes sobre o pensar platônico.  Porém, Orígenes só cria na pré-existência da alma e única encarnação e não em várias. Negou em várias ocasiões a reencarnação.


Sobre o gnóstico Basíledes que fez uso de Romanos 7, 9 para apoiar a reencarnação Orígenes escreve: "Basílides rebaixou a doutrina do Apóstolo ao plano das fábulas ineptas e ímpias" (cf. In Rom VIII).


Em seu comentário sobre o Evangelho de Mateus escreve em relação a Elias e João Batista:
“Neste lugar (referência a Mateus 17,10-13) não parece para mim que, por Elias, refere-se à alma, para que não caia na doutrina da transmigração, que é estranha à igreja de Deus e não ensinada pelos Apóstolos, nem em qualquer lugar é estabelecido nas Escrituras” (Livro 13, 1)


Deixa bem claro sua posição e negação à reencarnação:
“Se tivesse refletido sobre o que é apropriado para uma alma que está destinada à vida eterna, e na opinião que estamos na natureza de sua essência e  de seu princípio, ele não teria assim ridicularizado a entrada do imortal em um corpo mortal, que se efetua, não de acordo a metempsicose de Platão, mas segundo uma visão mais agradável e maior das coisas.” (Contra Celso, Livro 4, cap 7)


Agora, reparem o que realmente dizia o Edito do imperador Justiniano lido no Concílio de Constantinopla e publicado no sínodo:


“Se alguém diz ou sustenta que as almas humanas preexistem, no sentido de serem, anteriormente, mentes e forças santas que se desgastaram da visão divina e que se voltaram para o pior e por isto se esfriaram no amor a Deus, tomando daí o nome de almas, e que por punição foram mandadas para os corpos embaixo, seja anátema” (Dezinger – Anatematizos contra Orígenes)


Qualquer espírita honesto não dirá que tal condenação se referira à reencarnação, muito menos a ela nos moldes da doutrina espírita.


Não só Orígenes negou a reencarnação, outros Pais da Igreja fizeram o mesmo. Vejamos:


São Justino Mártir (100 - 165):


“(Todos os que crêem em Deus)... conduzimo-los... (ao batismo)... e, segundo o modo da regeneração que a nós renegou,  também são regenerados...Não é questão, para os que nasceram uma vez por todas, de voltar (novamente) ao seio da mãe...” (Apologie, tradução de A. Wartelle, Études  augustiniennes, Paris, 1987 p. 183)
"Então almas nem vêem Deus nem transmigram para outros corpos; pois eles devem saber que então eles são punidos, e eles teriam medo de cometer até mesmo o mais trivial pecado depois disto. Mas que elas podem perceber que Deus existe e que justiça e piedade são honoráveis, eu também concordo com você", disse ele.
"Você está certo," respondi” (Diálogo com Trifo, IV.)

Santo Irineu de Lião (130 - 202):


“...Assim como cada um de nós recebe seu corpo por arte de Deus, assim também possui sua própria alma...” (Contra Heresias Livro 2,33)


São Clemente de Alexandria (150 - 215):


“Se tivéssemos existido antes de vir a este mundo, deveríamos agora saber onde estávamos, assim como o modo e o motivo pelos quais viemos a este mundo” (Eclogae XVII)


Tertuliano (160 – 220):


“...Se os mortos, segundo uma lei intocável, voltassem à vida, o número dos seres humanos seria sempre o mesmo. Ora, não é o caso, haja vista o número sempre crescente da população humana, apesar das fomes e das guerras..” (De anima)
 “A identidade do corpo glorioso de Cristo ressuscitado com seu corpo terrestre é a mais forte prova contra a metempsicose.” (Sobre a ressurreição da carne. Citado no Livro Notas sobre a reencarnação)
“Quão mais digno de aceitação é o nosso ensino de que as almas irão retornar aos mesmos corpos. E quão mais ridículo é o ensino herdado [pagão] de que o espírito humano deve reaparecer em um cão, cavalo ou pavão!” (Ad Nationes, Cap. 19).  


Lactâncio (250 - 317):


“... Não é necessário que as almas velhas se revistam de corpos novos, quando o mesmo artífice (isto é, Deus) que fez as primeiras sempre pode fazer outras (novas)” (Notas sobre a reencarnação, pág. 80)


São Basílio Magno (329-379):


“... Não direi que eles foram animais outrora, mas defendo firmemente que, propagando tais ensinamentos, ficam sem espírito, menos ainda (que esses mesmos animais” (Citado por L Bukowski)


Santo Agostinho (354-430):


“... (Platão afirmava) que, depois da morte, as almas humanas voltam em corpos (de animais)... O mestre de Porfírio, Plotino, defendia a mesma posição... Porfídio não aceitou a transmigração das almas com os animais, mas só entre os homens. Evidentemente teve vergonha de adotar essa opinião, não admitindo que uma mão possa transformar-se numa mula, e servir de montaria ao filho, mas não teve vergonha (de admitir) que uma mãe passe a ser jovem e venha a desposar o próprio filho...” (A cidade de Deus, Livro 10, cap 30) 


São Jerônimo (347 - 420):


“... João Batista é apelidado de Elias, não por ser a reencarnação do profeta, mas porque Deus lhe tinha dado a graça e a força num mesmo grau que a Elias; também porque a austeridade de suas vidas foi parecida; enfim, por causa das semelhanças de suas vocações...” (Comentários sobre Mateus, Livro 2, 11)


Referências e fontes:


1.http://www.documentacatholicaomnia.eu/04z/z_0185-0254__Origenes__Commentarium_in_evangelium_Matthaei_[Schaff]__EN.pdf.html
2. http://www.documentacatholicaomnia.eu/03d/0185-0254,_Origenes,_Contra_Celsus,_EN.pdf
3. http://www.documentacatholicaomnia.eu/04z/z_0160-0220__Tertullianus__De_Anima__EN.doc.html
4. http://www.reflexoes.diarias.nom.br/CRISTAS/OSPRIMEIROSCRISTAOSEAREENCARNACAO.pdf
5. Livro: Notas sobre a reencarnação. Benoit Domergue.
6. Livro: Reencarnação. Geraldo E. Dallegrave.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Papa Leão XIII rebatendo a "igreja invisível"



PAPA LEÃO XIII

Carta Encíclica Satis Cognitum (3 - 5)

A Igreja visível
"Tal é o plano a que obedece a constituição da Igreja, tais são os princípios que têm presidido seu nascimento. Se olharmos nela o fim último que se propõem e as causas imediatas por as que produzem a santidade nas almas, seguramente a Igreja é espiritual; porém se considerarmos os membros de que se compõem e os meios por os que dons espirituais chegam a nós, a Igreja é exterior e necessariamente visível. Por sinais que penetram nos olhos e por os ouvidos foi como os apóstolos receberam a missão de ensinar; e esta missão não a cumpriram por outro modo que por palavras e atos igualmente sensíveis. Assim sua voz, entrando por o ouvido exterior, a fé engendrada nas almas "a fé vem pelo ouvir e o ouvir pela palavra de Cristo"

E a mesma fé, esta é, o assentimento à primeira e soberana verdade, por sua natureza, está encerrada no espírito, mas deve sair ao exterior por a evidente profissão que dela é: "porque ele acredita em seu coração para justiça, mas a boca se faz confissão para a salvação”.  Assim, nada é mais íntimo no homem que a graça celestial, que produz na salvação, mas exteriores são os instrumentos ordinários e principais por os que a graça nos comunica: queremos falar dos sacramentos, que são administrados com ritos especiais por homens evidentemente escolhidos para esse ministério. Jesus Cristo ordenou aos apóstolos e aos sucessores dos apóstolos que instruíram e governaram aos povos: ordenou aos povos que recebessem sua doutrina e se submeter humildemente a sua autoridade. Mas essas relações mútuas de direitos e de deveres na sociedade cristã não só não poderiam ter sido duráveis, mas mesmo eles poderiam ter se desenvolvido sem a mediação dos sentidos, intérpretes e mensageiros das coisas. 

Por todas estas razões, a Igreja é com freqüência chamada nas Sagradas Escrituras um corpo, e também o corpo de Cristo. “Sois o corpo de Cristo”. Porque a Igreja é um corpo visível aos olhos; porque é o corpo de Cristo, é um corpo vivo, ativo, cheio de seiva, sustentado e animado como é por Jesus Cristo, que entra em sua virtude, como aproximadamente tronco a videira alimenta e faz ramos férteis que estão ligadas. Nos seres animados, o princípio vital é invisível e oculto e o mais profundo do ser, mas se relata e manifesta por o movimento e a ação dos membros; assim, o princípio de vida sobrenatural que anima a Igreja se manifesta a todos os olhos por atos que produz.

De aqui se segue que estão em um pernicioso erro os que, tornam uma Igreja a medida de seus desejos, imaginá-la como ocultos e de alguma forma visível, e aqueles que a consideram como uma instituição humana, desde a organização, disciplina e ritos externos, mas sem qualquer comunicação permanente dos dons da graça divina, sem nada que demonstre por uma manifestação diária e evidente a vida sobrenatural que recebe de Deus.

O mesmo que uma outra concepção são inconsistentes com a Igreja de Jesus Cristo como o corpo ou a alma por si só são incapazes de ser o homem. O conjunto e a união desses dois elementos é essencial para a Igreja verdadeira como a união íntima da alma e do corpo é essencial à natureza. A Igreja não é uma espécie de cadáver é o corpo de Cristo, animada com sua vida sobrenatural. Cristo, cabeça e modelo da Igreja, não está completo, se considerada em caráter visível apenas humano, como fazem os discípulos de Fotino o Nestorio, ou apenas a natureza divina, invisível, como fazem os monofisitas,mas Cristo é um pela união de duas naturezas, visível e invisível, e um em dois: da mesma forma, seu Corpo místico, não é a verdadeira Igreja sem a condição de que suas partes visíveis tomara sua força e de vida dos dons sobrenaturais e outra invisível, e essa união é que é a natureza dessas entidades externas.

Mas como a Igreja é assim por vontade e ordem de Deus, assim deve permanecer sem nenhuma interrupção até o fim dos tempos, pois caso contrário, não teria sido estabelecido para sempre, e por isso tende a ser limitada no tempo e no espaço, duas conclusões contrárias à verdade. É verdade, portanto, que essa reunião de elementos visíveis e invisíveis, sendo por vontade de Deus na natureza e na constituição íntima da Igreja, deve durar, necessariamente, a mesma igreja, tanto quanto ele dura.

Não é outra a razão em que São João Crisóstomo se funda quando diz: “Não se separes da Igreja. Nada é mais forte que a Igreja. Sua esperança é a Igreja, a salvação é a Igreja, o seu refúgio é a Igreja. É maior do que o céu e mais largo que a Terra. Ela nunca envelhece, sua força é eterna. É por isso que a Escritura, para mostrar sua força inabalável, dá o nome de uma montanha". Santo Agostinho acrescenta: "Os incrédulos crêem que o cristianismo deve levar algum tempo no mundo e depois desaparecem. Durar tanto quanto o sol, e como o sol nascendo e se pondo seguir, isto é,durante o decorrer do tempo, a Igreja de Deus, isto é, o Corpo de Cristo não desaparecer do mundo" E o próprio Pai diz em outro lugar: “Vacilará a Igreja se vacila o seu fundamento, mas poderá talvez Cristo vacilar? Visto que Cristo não vacila, a Igreja permanecerá intacta até o fim dos tempos Onde estão aqueles que dizem que a Igreja tem desaparecido do mundo, quando nem sequer pode recuar?"

A Igreja foi fundada e estabelecida por Jesus Cristo nosso Senhor, portanto, quando indagamos sobre a natureza da Igreja, é essencial saber o que Jesus queria fazer e o que ele realmente fez. Devemos seguir esta regra quando necessário lidar com, especialmente a unidade da Igreja sujeitos que encontramos no interesse de todos para falar alguma coisa nestas cartas."

* Texto traduzido pelo blogueiro. Se achar algum erro nos comunique, por favor.
 
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